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Hoje em dia, felizmente, o ciclo de desenvolvimento da economia, os avanços nos direitos e conquistas dos trabalhadores e a unidade das centrais criam condições para que a tarefa estratégica do movimento sindical possa ser enunciada com clareza e realizada na prática.
Esta tarefa consiste em garantir, com uma série de medidas coerentes, que a participação dos salários na renda nacional cresça em ritmo pelo menos igual ao ritmo do aumento do PIB brasileiro.
Depois da derrota da ditadura até recentemente o nível de salários no PIB permaneceu quase inalterado em um crescimento medíocre da economia. Nos últimos anos (com a interrupção azarada do ano passado) a economia deslanchou abrindo-se um círculo virtuoso de crescimento com distribuição de renda. Mas a proporção dos salários na renda nacional (o outro nome do PIB) não cresceu como era de se esperar. Em 1980 os salários representavam metade da renda ou metade do PIB; hoje, apenas 1/3.
Fazer crescer a participação dos salários na renda nacional significa obter a redução da jornada sem a redução de salário, ganhos reais continuados para os salários, em especial para o salário mínimo, aumento do número de empregados assalariados, combate às desigualdades de gênero, cor da pele, regionais e outras, formalização das relações de trabalho, industrialização, qualificação dos trabalhadores, fortalecimento do mercado interno e freio no rentismo. É preciso garantir a continuidade do desenvolvimento e ampliar a distribuição de renda baseada na alta produtividade da economia e no consumo das famílias dos trabalhadores, fortalecendo o papel do Estado como indutor de investimentos.
Em cada um destes temas, o movimento sindical tem experiência de luta e tem saboreado o gostinho de vitória.
Neste ano de 2010 a plataforma unitária dos trabalhadores que, uma vez estabelecida, terá uma grande força social, política e eleitoral deve ser uma plataforma que reivindique e exija – porque já está sendo conquistada – a série coerente de medidas que encarnam a tarefa estratégica.
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