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Deputados se reúnem com Moraes para defender lei de igualdade salarial

Encontro com relator no STF ocorre às vésperas de julgamento que pode manter ou alterar regras de transparência nas empresas.
 
Um grupo de parlamentares se reuniu com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para defender a constitucionalidade da Lei de Igualdade Salarial (Lei 14.611/2023), que será analisada pela Corte nos próximos dias.

O encontro, articulado pela deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS), reuniu 25 parlamentares — em sua maioria mulheres — além de representantes do governo federal, incluindo integrantes do Ministério das Mulheres, do Ministério do Trabalho e da Advocacia-Geral da União (AGU). A reunião ocorre às vésperas do julgamento marcado para o dia 6 de maio.

Em conversa com o ICL Notícias, Melchionna afirmou que o encontro teve caráter estratégico e buscou apresentar, de forma articulada, argumentos jurídicos e técnicos em defesa da lei.

“Foi uma reunião muito representativa. Foram 25 parlamentares, a maioria mulheres, de vários partidos, com representação do Ministério das Mulheres, do Ministério do Trabalho e da AGU. Todos os argumentos apresentados contra a lei foram fartamente rebatidos”, afirmou.

A Lei de Igualdade Salarial, sancionada em 2023, estabelece mecanismos para enfrentar a desigualdade de remuneração entre homens e mulheres. O texto obriga empresas com mais de 100 funcionários a divulgar relatórios de transparência salarial e prevê a adoção de planos de ação quando forem identificadas diferenças injustificadas para funções equivalentes.

Segundo Melchionna, a legislação corrige uma lacuna histórica ao criar instrumentos concretos para garantir um direito já previsto na Constituição.

“A igualdade salarial já é um princípio constitucional, mas não havia instrumentos para dar efetividade a esse direito. Não existiam mecanismos mínimos de transparência e correção, e é exatamente isso que a lei estabelece”, disse.

A deputada também rebateu críticas de entidades empresariais que questionam a lei sob o argumento de possível violação à proteção de dados.

“O relatório não é individualizado. A identidade dos trabalhadores é preservada. A própria Autoridade Nacional de Proteção de Dados já afirmou que a proteção está garantida”, declarou.

Ela detalhou ainda que a lei prevê etapas antes da aplicação de sanções, com espaço para correção por parte das empresas.

“As empresas são instadas a se manifestar quando há alguma inconsistência, têm prazo para apresentar um plano de ação e só depois disso podem ser aplicadas medidas administrativas. É um processo gradual, construído ao longo da tramitação da lei”, explicou.

Outro ponto destacado na reunião foi o impacto social da medida, especialmente na autonomia econômica das mulheres.

“A ampla maioria do Congresso aprovou essa lei entendendo a necessidade da autonomia financeira das mulheres, inclusive como forma de romper ciclos de violência”, afirmou.

Durante o encontro, Moraes fez questionamentos sobre os dados utilizados nos relatórios e solicitou acesso aos documentos apresentados pelos parlamentares e pelo governo.

“O ministro pediu informações sobre os relatórios, analisou os dados apresentados e levou todo o material para avaliar antes de proferir o voto”, relatou.

Também foram apresentados documentos técnicos do governo, incluindo estudos do Ministério do Trabalho com dados recentes sobre desigualdade salarial no país, além de pareceres da AGU defendendo a constitucionalidade da lei.

Para Melchionna, a contestação à lei ignora o avanço que a medida representa na tentativa de enfrentar desigualdades estruturais.

“Enquanto os dados mostram que a desigualdade salarial aumentou nos últimos anos, há uma tentativa de desidratar uma lei que busca corrigir essa distorção histórica. Não é aceitável”, disse.

O julgamento no STF deve definir se os mecanismos previstos na legislação — especialmente a obrigatoriedade de transparência salarial — serão mantidos integralmente ou sofrerão alterações, com impacto direto sobre empresas de médio e grande porte em todo o país.