Além de ser proibido e preocupante, o trabalho infantil também não se converte em maiores rendimentos quando o trabalhador se torna adulto. Essa é uma das constatações de um estudo divulgado ontem pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), em Brasília, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. "As pessoas que começaram a trabalhar quando crianças (até 17 anos de idade) não apresentam médias de renda superiores a R$ 1.500 mesmo na faixa de idade de cinco a nove anos. [...] Quanto menor a idade em que se começa a trabalhar menor é o rendimento médio desse grupo de pessoas durante toda a vida", diz o estudo. O documento aponta ainda que o impacto de programas de transferência de renda na redução do trabalho infantil é muito significativo na faixa de cinco a nove anos, porém têm mais efeito se conjugados à manutenção da criança em sala de aula e seu sucesso escolar. Segundo dados analisados, aumentar a renda da família com crianças de cinco a nove anos faz com que a proporção das que trabalham caia. O estudo da OIT no Brasil foi feito para analisar o caso do país no "Relatório Global 2006", anunciado ontem. No relatório geral que trata do trabalho infantil no mundo, o Brasil tem destaque positivo pela já conhecida redução das taxas de crianças e jovens ocupados entre 1992 e 2004. Os desempenhos do Brasil e do México foram um dos fatores que contribuíram para que a América Latina e o Caribe figurassem como as regiões com a queda mais rápida do trabalho infantil entre 2000 e 2004. No entanto, apesar da redução global do trabalho infantil no Brasil, ainda há Estados onde a tendência não se reproduz ou os números ainda estão em patamares altos. Um exemplo é Santa Catarina, que, apesar de estar em uma região com mais recursos, registrou aumento de 0,2% para 0,25% na proporção de crianças de dez a 17 anos trabalhando de 2003 a 2004. Taxas no mundo Pela primeira vez, as taxas de trabalho infantil no mundo, principalmente nas piores formas, caíram. Houve redução de 11,5% no índice de trabalhadores de cinco a 17 anos entre 2000 e 2004, chegando a 217,7 milhões naquele ano. A queda de envolvidos em trabalho perigoso foi de 26,1% no período. Fonte: Folha Online