A fusão entre Oi (Telemar) e BrT não acontecerá caso a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) decida exigir que companhias de telefonia fixa que oferecem acesso à banda larga tenham de abrir empresas independentes apenas para prestar esse tipo de serviço. "Se tivermos de separar as empresas, [isso] inviabiliza a operação [de fusão]", disse Luiz Eduardo Falco, presidente da Oi, durante a Telebrasil, principal evento de telecomunicações do país, que ocorre na Costa do Sauípe, na Bahia. A separação entre as operações de telefonia fixa e de prestação de serviço de banda larga de uma mesma companhia é um dos principais pontos de embate no conselho da Anatel durante as discussões pelas alterações do PGO (Plano Geral de Outorgas). Sem a aprovação dessas mudanças, a fusão entre Oi e BrT não sai do papel. Antes de mais nada, o novo PGO terá de permitir que a operadora de uma região possa adquirir outra, que atua em área de concessão diferente. Entre conselheiros existe consenso em favor dessa mudança. Nas últimas semanas, surgiu o conflito relacionado aos serviços de acesso à banda larga prestados por uma operadora de telefonia. Hoje elas podem vender pacotes e serviços de acesso sem precisar abrir uma empresa específica. Os conselheiros discutem a separação. Mais transparência Para o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, a "segregação" (como os técnicos chamam essa separação), traria mais transparência. Segundo Sardenberg, há dois grupos no conselho. Um defende a separação imediata. O outro pede que sejam avaliados os impactos da separação. Para a Oi, se ela for aprovada, significa um cenário ruim. Segundo Falco, foram pagos R$ 315 milhões para que a "BrOi" não nascesse com um passivo acionário (o valor pago pelas ações impede processos contra a fusão na Justiça). Essa quantia foi definida com base em ativos previamente definidos. Caso a Anatel exija a criação de uma companhia independente para prestar serviços de banda larga, toda essa operação teria de ser revista porque os ativos seriam divididos. "Se tivermos que nascer com um piano de cauda, parece que não vai nascer", disse Falco, ao mencionar o peso que seria para a nova empresa lidar com essa situação. Segundo o superintendente de serviços privados da Anatel, Jarbas Valente, a decisão não deverá passar do final do ano. Pelo contrato firmado entre Oi e BrT, a Oi pagará R$ 490 milhões à BrT caso a fusão não se concretize em 240 dias. "Faltam 197 dias", disse Falco. O presidente da Oi afirma que terá de ganhar 25 milhões de clientes em cinco anos para obter escala fora do país. No Brasil, esse número seria de 100 milhões de assinantes. Fonte: Folha de S. Paulo