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Alta demanda por internet móvel faz teles ampliarem investimento em 3G

A Claro vai acelerar os investimentos em sua rede de terceira geração (3G), para atender a demanda crescente por acesso à internet móvel. O presidente da operadora, João Cox, afirmou ontem que os acionistas da empresa já autorizaram um reforço no orçamento para o projeto, que era de R$ 2 bilhões originalmente. "Vamos investir o que for necessário", afirmou o executivo, sem revelar números. Cox que participa do 52º Painel Telebrasil, evento do setor de telecomunicações que acontece nesta semana na Costa do Sauípe, Bahia. Por enquanto, a rede de terceira geração da Claro - lançada no fim do ano passado - está presente em 40 cidades brasileiras. Segundo Cox, os equipamentos já estão sendo colocados em outros municípios. O executivo afirmou que o maior volume de vendas não é de celulares 3G, e sim das placas que permitem conexão à internet por meio da rede móvel. Mais do que os recursos associados à mobilidade, a demanda por acesso à internet tem sido a grande alavanca da terceira geração, em seus primeiros meses de existência no Brasil. A oferta de modems sem fio para o acesso à web, com velocidades da ordem de 1 megabit por segundo (Mbps), é a aposta central das operadoras que lançaram suas redes na nova tecnologia - Claro, TIM, Brasil Telecom (BrT) e Telemig Celular (comprada pela Vivo). A demanda acompanha o crescimento das vendas de computadores no país. Soma-se a isso o fato de que, mesmo nas grandes cidades, há muitas áreas sem rede de banda larga fixa. Por último, as operadoras de telefonia móvel estão adotando ofertas agressivas de preço para competir com as empresas de telefonia fixa e de cabo. Com esses fatores, os modems de banda larga móvel sumiram das lojas nas primeiras semanas de vendas - situação que foi agravada pela greve dos fiscais da Receita Federal, que represou importações. Nos próximos meses, a competição promete aumentar ainda mais. Operadoras importantes, como Vivo e Oi, ainda não lançaram suas redes de terceira geração. E quem já está no mercado promete ampliar o escopo de atuação. Segundo Cox, a Claro está preparando para breve o lançamento dos serviços 3G na modalidade pré-paga - formato que é adotado por 80% dos usuários de celular do país. A Qualcomm, empresa americana que fornece chips para sistemas de celular, prevê que o mercado brasileiro terá mais de 10 milhões de usuários de 3G no fim de 2009. Hoje, existem 127,7 milhões de clientes de telefonia móvel no país, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). "A demanda por modems está muito forte. Superou, de longe, a procura por aparelhos", destacou o presidente da Qualcomm no Brasil, Marco Aurélio Rodrigues. Os fornecedores de equipamentos para redes de telecomunicações estão satisfeitos. Após dois anos com baixo crescimento, eles já vislumbram um 2008 muito mais aquecido. "A 3G está puxando todo o setor. Não apenas a parte de acessos telefônicos, mas também negócios nos segmentos de transmissões e redes IP", afirmou o ao Valor o presidente da Alcatel-Lucent, Jônio Foigel. Apesar de a empresa não ter conseguido nenhum contrato para a instalação das redes 3G das operadoras, o executivo está otimista e prevê que o faturamento da companhia crescerá mais de 20% neste ano, em comparação com 2007. É o dobro da taxa obtida no último exercício fiscal. A Nokia Siemens também deverá crescer dois dígitos em relação ao ano passado, afirmou Aluízio Byrro, presidente do conselho de administração da companhia na América Latina. Segundo o executivo, operadoras fixas e móveis investiram R$ 12,5 bilhões no ano passado e deverão desembolsar entre R$ 14 bilhões e R$ 15 bilhões em 2008. "O mercado está bom. Chegamos a enfrentar dificuldades para contratar empresas de instalação das redes móveis. Tem sido um desafio", destacou. A Nokia Siemens obteve contratos para implantar a infra-estrutura de 3G das operadoras Oi, TIM e Claro. Fonte: Valor Econômico.

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