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Novo no Brasil, padrão digital atinge 100% da TV finlandesa

A Finlândia é o primeiro país do mundo a retirar do ar a TV analógica e só transmitir programas com tecnologia digital. A informação é da ministra das Comunicações desse país europeu, Suvi Lindén, em entrevista a Ethevaldo Siqueira (O Estado de S. Paulo). A experiência finlandesa pode servir de exemplo ao Brasil, que a duras penas tenta emplacar o padrão digital, iniciado em dezembro passado. "Em menos de quatro anos, conseguimos realizar esse objetivo. Não foi fácil, mas vale a pena", diz Suvi Lindén. "Os maiores problemas que tivemos foram na área dos sintonizadores digitais (set top boxes). As camadas de menor renda reclamaram dos preços e da impossibilidade de utilizar o mesmo aparelho tanto para a TV aberta quanto para a TV por assinatura. Vamos ter que resolver essa situação, substituindo esses conversores", agregou a ministra. O padrão utilizado na Finlândia é o europeu (Digital Video Broadcasting ou DVB), que permite elevado grau de interatividade e mobilidade em sua versão DVB-H. Segundo a Suvi Lindén, a Europa não deu prioridade ao desenvolvimento da TV de alta definição, embora o padrão DVB já o permita. Na opinião de alguns especialistas finlandeses, a TV de alta definição ainda é um luxo, porque exige receptores mais caros, mais sofisticados e, principalmente, maior oferta de conteúdo - o que ainda não ocorre. Para eles, as imagens digitais européias, com 700 pixels por linha (e não 1.080) são plenamente satisfatórias. Quanto ao rádio digital aberto, surpreendentemente, a ministra das Comunicações da Finlândia não acredita na viabilidade prática da migração da tecnologia analógica de rádio para a digital. "O problema é a exigência de se trocar tudo - equipamentos das emissoras e receptores dos ouvintes", justifica-se. A mudança, diz Suvi, "exigiria até a mudança de faixa de freqüências e a interrupção das atividades das emissoras Nem o padrão europeu nem o norte-americano satisfazem. No futuro, as transmissões de rádio serão todas via internet ou associadas à TV digital". Uma receita para o êxito As telecomunicações da Finlândia estão entre as mais avançadas do mundo. Até as residências mais modestas da zona rural ou as aldeias da Lapônia, no norte do país, dispõem de comunicação telefônica, fixa ou celular. Nas regiões mais remotas, o serviço é o mais simples possível, inclusive na telefonia celular, que utiliza o sistema mais antigo, de telefonia móvel nórdica em 450 MHz (NMT 450, na sigla comercial). Esse modelo, no entanto, é o mais econômico para cobertura de grandes áreas com baixa densidade populacional, segundo a ministra Suvi Lindén. O maior avanço do setor, entretanto, está na área da telefonia móvel, em que o país ostenta a impressionante densidade de 124 celulares por 100 habitantes. Numa tendência oposta, a telefonia fixa vai reduzindo sua participação para menos de 50%, como ocorre, aliás, na maioria dos países. Embora seja um país com pouco mais de 5 milhões de habitantes, a Finlândia tem empresas poderosas na área da telefonia celular - entre as quais a Nokia, detentora da fatia de 41% da produção mundial de aparelhos celulares, com dez fábricas espalhadas pelo mundo, inclusive uma em Manaus, no Brasil. Nada de monopólios ou oligopólios Uma característica curiosa e quase única da telefonia fixa da Finlândia é o fato de o país já ter conseguido abrir a infra-estrutura de rede de cabos e centrais à participação de todas as operadoras, enquanto o mundo ainda continua discutindo o compartilhamento da infra-estrutura. No jargão de telecomunicações, esse compartilhamento recebe o nome de unbundling (desempacotamento, em inglês), que permite um grau muito maior de competição. O país tem hoje mais de uma centena de operadoras fixas. Muitas dessas operadoras podem obter licenças e prestar praticamente todos os serviços de comunicações, de telefonia fixa a celular, TV por assinatura, TV sob demanda (Video on Demand), acesso de banda larga e internet. Apenas a radiodifusão (rádio e TV abertas) exige concessões exclusivas. Raros países têm o índice de acesso à internet tão elevado quanto a Finlândia: mais de 60% da população utilizam regularmente a rede mundial. E, de cada 100 usuários, 70 dispõem de acesso em banda larga, segundo a ministra das Comunicações. O país tem pelo menos três indicadores extraordinários que tornam possível seu estágio de desenvolvimento: o menor grau de corrupção governamental (segundo a organização Transparência Internacional), o melhor padrão de educação e a terceira posição mundial em investimentos em pesquisa e desenvolvimento em relação ao seu produto interno bruto (PIB), atrás apenas de Israel e Cingapura. Fonte: Agência Estado

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